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09/08/2017
 16ª edição do evento abordou saúde da população trans na cidade de São Paulo
 

SIMESP
A saúde da população trans na cidade de São Paulo foi o tema do debate realizado no dia 27 de julho, pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). O evento teve como debatedoras Alice Quadros, militante transfeminista e diretora do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC); Ana Lúcia Cavalcanti, assessora da área técnica de saúde da mulher da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP); e Ana Amorim, médica de família e comunidade, membro do Grupo de Trabalho de Gênero, Sexualidade, Diversidade e Direitos da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e integrante do Conselho Profissional da AMAPÔ (entidade de travestis e transexuais do estado de São Paulo).

Na ocasião, a assessora técnica as SMS se comprometeu a elaborar proposta para a criação de um comitê de atenção à saúde de pessoas LGBT. Nicolle Mahier, presidente da AMAPÔ, propôs que a entidade também participasse do comitê.

De acordo com Alice, que é estudante de medicina da Universidade de São Paulo (USP), a população trans é extremamente vulnerável. “Cerca de 90% estão na prostituição por falta de acesso a oportunidades de emprego. A taxa de suicídio chega a 40% e 32% têm HIV”. Sobre os dados, a militante transfeminista explica que não são oficiais por negligência do Estado com essa população.

Para a médica Ana Amorim, o cuidado integral à população trans é responsabilidade da Atenção Primária à Saúde porque esses profissionais avaliam todo o contexto social da pessoa, não apenas a hormonização e as transformações corporais por cirurgia. Para Ana, é comum ouvir de colegas médicos que a hormonização das pessoas trans é difícil, mas a complexidade é a mesma de receitar hormônios para mulheres na menopausa, por exemplo. Alice explica que os profissionais não conseguirão ter diretrizes claras enquanto não existir a capacidade empática de olhar pessoas trans com igualdade. “É preciso começar a partir daí a triar e a reconstruir uma medicina que não seja no critério cisnormativo”, explica.

Cis ou cisgênero é um termo aplicado a pessoa cujo sexo designado ao nascer equivale ao seu sentimento de gênero. Já a cisnormatividade se refere a quando as pessoas são separadas apenas como homem, quem nasce com pênis, e mulher, quem nasce com vagina.
A necessidade de suporte social para a população trans, que têm alto índice de depressão, suicídio e que sofrem inúmeras violências, também foi um ponto importante no debate. Alice Quadros reforça que a psiquiatria não deve ser uma validadora da identidade trans. “O tratamento psicológico deve agir como um auxiliador das comorbidades que nós teremos pela nossa própria vivência trans em razão das violências a que estamos submetidas todos os dias.”


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